Crônica com pastel
São Paulo, SP, 9 de novembro de 2025 — Fernando Dezena

Onde estariam os títulos de poesia?
Em um canto, a placa: Literatura brasileira. Fui em passos rápidos. O primeiro livro, fora de ordem — apontando para mim —, era Tempo de Retomada da Trudruá Dorrico. Simpática escritora indígena, que conheci em uma FLITABIRA. Fotografei e mandei para ela, agradeceu o registro. Não é comum ver a produção literária dela exposta assim. Depois corri os olhos pelos repetidos títulos que já compõem a minha biblioteca. Desanimei. Pensando em voltar para o hotel, surgiu à minha frente: Um século em cem crônicas. Capa branca, com desenhos de que gosto, organizado por Maria Amélia Mello e com a colaboração de Claudia Mesquita. Traz mais de uma dezena de cronistas que passaram pelo jornal O GLOBO. Na verdade, são trinta e dois. Junto com a escolha cuidadosa de dois ou três trabalhos, vem uma minibio do autor. Encantou-me pelos nomes. Se fosse ler algo do Braga, não me interessaria. Já o fiz de trás para frente e de frente para trás em diversas edições emprateleiradas no CAFOFO. Mas o livro guarda preciosidades, como Cacá Diegues, Chico Anísio, Danuza Leão, Marisa Raja Gabaglia, entre outros.
Quarto de hotel, depois dos pastéis de carne e queijo e de um suco de laranja, que me custaram quarenta reais, pus-me a ler a apresentação das organizadoras e o prefácio de Joaquim Ferreira dos Santos. Da apresentação deixo a frase: “As crônicas adormecem no jornal e amanhecem nos livros.” Do prefácio, a certeza de que “o cronista abre a janela para renovar o ar e encher de prazer e beleza a vida do leitor.”
Fernando Dezena
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