Morte e Vida Severina: Uma jornada inesquecível
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“Morte e Vida Severina,” o aclamado auto de natal pernambucano de João Cabral de Melo Neto, é uma obra poética que transcende a literatura, dando voz aos retirantes nordestinos e ao rio Capibaribe, para se tornar um espelho da condição humana no Nordeste brasileiro. Acompanhe a trajetória de Severino, um retirante forçado a deixar o sertão, o agreste e a caatinga em busca de uma vida menos cruel no litoral. Com uma identidade dissolvida na de milhares de outros migrantes — “muito Severinos, iguais em tudo” —, o protagonista confronta a dura realidade da “morte Severina,” uma existência marcada pela miséria, pela violência e pela velhice que chega antes dos trinta.
A descida rumo ao Recife não é apenas uma viagem geográfica, mas também uma jornada introspectiva e assustadora. Severino encontra a morte física em cada parada, descobrindo que mesmo o trabalho e o sustento no litoral se organizam em torno do grande negócio da morte, como atesta a figura da rezadora e o ofício dos coveiros. Pressionado pela desilusão e pela ausência de esperança, ele considera o suicídio, perguntando-se se vale a pena continuar lutando. É neste ponto de maior desespero que a obra cumpre seu papel de auto de natal: o nascimento de um novo Severino, filho de Mestre Carpina José, irrompe como uma explosão de vida, uma resposta teimosa e elementar à ameaça do nada.
Acompanhe os versos cortantes de João Cabral e o desfecho emocionante desta busca por um motivo para viver. Convidamos você a assistir ao vídeo a seguir, uma poderosa animação deste poema, para testemunhar a jornada de Severino e a triunfante, ainda que frágil, beleza da vida que insiste em brotar mesmo nas condições mais áridas.
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