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“Oculto no Vazio: Incognoscível, Reminiscências e Medidas incertas: Poemas de Marcos Augusto Nunes”.

Oculto no Vazio - Ilustração Poética

Incognoscível

e gostamos da chuva e gostamos do fogo e devemos à terra a segura gravitação no ar que respiramos desde a longínqua solidificação da carne em ser, primata nos gestos mas humano desde os princípios dos olhares que percorreram os dias de chuva os incêndios da floresta as distâncias até os mares sentindo no ar o perfume da vida, algo que jamais compreenderemos

Reminiscências do Além

vejo a infância passar em uma tela grande: isso me desgosta tempos de viver aturdido a aprender medos e mentiras horrores das mortes e males distinções cobertas por preconceitos e ordens: o que pensar para onde ir o que não fazer para o dever ser cumprido sinto-me velho sem perceber que a memória transformou as datas em imagens descobertas como novas, sem que elas tragam para mim qualquer alegria de tê-las guardadas como retratos manipulados pela computação gráfica sou agora o que sou sendo o que nós somos porém numa só linha a se desfiar mirando com meus pares todos os abismos que cavamos aos nossos pés canto para o bem de minha saúde até que minha voz se multiplique em canções postas em línguas desconhecidas recupero então o além: de ser e do vir a ser o devir que nunca está: o futuro me alcança antes que eu mesmo me vá a correr como já não faço e assim retorno às malditas reminiscências embotado pelo sol da manhã envolto em mil esferas que tocam as notas infinitas a se despedir do que um dia seria se pudesse ser outra coisa que não aquela que fomos à beira do barranco do acaso

Medidas Incertas

à terra cabe todas as águas às águas, todo o ar ao ar, o fogo às gentes, a vida entre os elementos e mais: o pendão de conhecê-los como poucos, um pouco se tanto, se cabe às gentes o saber de todas as coisas mas não: o pouco se alarga se estende, e, para muitos nunca é demais

Antes de Morrer

devo continuar à revelia da razão já a razão me diz de uma maneira oculta que é dela que jamais me disse: não continue e prosseguiu: ouviu falar muita gente que desistiu na língua mas não nas pernas que seguiram a andar e prosseguiu: se fiou em declarações ditas ou escritas sem pensar antes de agir a ação levando-as ao fim antes do começo do instante seguinte que é aquele a valer pelo infinito devo continuar reformulo pois o que é a razão para me ditar ordens? quando ninguém pode fazê-lo sequer eu mesmo sempre tendente à desobediência de quaisquer diretrizes devo continuar reformulo não porque devo assim, tão imperativamente mas porque talvez queira ainda que não queira e já não me importo em saber o que virá na continuação dessa série de infortúnios pontuados pela alegria sentida em viver
Foto do autor

Atualmente, 65 anos; escrevo desde muito jovem; tô aprendendo; andei participando duns concursos, perdi muitos, ganhei uns 3 ou 4; escrevo poesia, contos, romances; apenas 2 livros publicados de fato: VIUSEVERSA (poesia) e O ÚLTIMO A SAIR ACENDE A LUZ (romance); uns outros 12 "de direito". Tá bão, né?

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