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“Liturgia” | Um poema de Natal, por Solange Firmino

Meu “Poema de Natal” da Antologia da Poética Grupo Editorial, organizada pelas maravilhosas Virginia do Carmo e Lília Tavares.
Ilustração poética para o poema Liturgia de Solange Firmino

LITURGIA

Quando tento escutar o tempo
que está adiante
e mesmo antes de todo o tempo,
o futuro faz silêncio absoluto.
Sei que chegará a época de cruz e castigo,
mas antes, escuta…

Esquece os pecados hereditários.
É chegada a hora.
Pronuncia palavras sublimes,
para que teu espírito se eleve.
Estende as mãos
àqueles que pedem por tais atos.

Promete que viva entre todos esta canção:
O chão de palha do presépio
anuncia as boas-novas.
Observo a manjedoura
e penso na bênção do milagre.
Então, atravessa-me o tempo.
Presente e futuro unem-se
como uma evocação.
Percebo que somos mais amor que temor.

E, tão inédita como música nunca ouvida,
tão antiga quanto uma prece,
tão certo como um relógio moderno,
eis que chega mais um Natal.

— Solange Firmino
◈ ◈ ◈
Foto do autor

Solange Firmino nasceu e vive no Rio de Janeiro. É graduada em Português e Literatura pela UERJ. Em 2016, venceu o Prêmio Literário da Fundação Cultural do Estado do Pará; ganhou em 2021 o 2º lugar no Prêmio da Biblioteca Pública do Paraná, na categoria Literatura Infantil. É autora de Fragmentos da insônia (2016), Alguns haicais e mínimos poemas (2016), Das estações (2017), Geometria do abismo (2017), Haicais no jardim: um novo sopro no ar (2021) e Diante das marés (2021).

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