Obra de Celso de Alencar
FUGA
Aos irmãos do Pará
Se as carroças com rodas de ferro
tivessem atravessado as muralhas
eu teria lido a carta.
Logo, não estaria
eu limpando o sangue
coalhado das ancas de Lucila.
Penaliza-me ver todos
os macacos de muaná
serem mortos
pelas mãos de Sulamita.
Os que expuseram suas bocas
não sentiram os ferros
não sentiram os
fios presos às duas árvores.
Não viram que as
flores da entrada
estavam murchas.
O que alegra-me
é estar convicto
de que os corrupiões
eliminaram as águias.
É sentir a sensação
de não ter
mais os ventos
e os cheiros
podres desta fábrica.
Falo
por saber
que muitos nunca
tiveram vitórias.
Falo
por saber
que as aranhas ainda
tecem suas teias.
Falo
por saber
que muitos nunca
soluçaram.

“ancas de Lucila.”