Dois poemas de Carlos Pessoa Rosa

Neste post, reunimos dois poemas de Carlos Pessoa Rosa em que a poesia contemporânea dialoga com crítica social e imaginação lírica, tensionando inocência, violência e cosmos.

GALO

nu
o menino espia as galinhas
e os pintinhos
diante de dois policiais que portam
colete à prova de bala
e armamento pesado nas mãos

: assim o mundo nos morros
a inocência espiante
versus realidade perversa das armas

– e o grito do galo
a dizer que a poética do galinheiro
não pertence mais a ele

ESTRELAS

vou inverter
a força gravitacional
e fazer chover
no céu

: as estrelas que se cuidem

vou apagar a noite

Carlos Pessoa Rosa