A Prima: A Inocência Cruel de Ingrid no Poema de Celso de Alencar
A Prima
A Prima
Era eu bem jovem.
Tinha 11 anos completos
quando no velório
da prima Aurora, morta
pelo violento Rio Guandu,
sua irmã, Ingrid,
de oito anos,
gritou alegremente, bem alto,
dançando e pulando pela sala toda
diante de todos que ali tristes,
inconsoláveis, estavam:
vou ficar com seus vestidos,
saias de linho, blusas, sapatos,
e as revistas do pato donald
e as da luluzinha.
Senti nos rostos que velavam a prima,
um ar de assombro, de repulsa.
Continuei na janela
Comendo bolo de laranja e bebendo
suco gelado de limão com mel.
Foi um dia de intenso calor.
A mortalha dançava com leveza
na porta da casa da prima morta
como uma bailarina voando
num palco de meia-luz.
Puxa, D. Edmir, muito obrigado pela publicação. É uma honra estar no Ver-O-Poema. Grande abraço deste companheiro.