Noite de Ano Novo
À sombra da Via-Láctea contemplo
o belo, a estelar clareza do mistério,
a se estender num véu leve – plumas
sobre tudo o que é humano e breve
Dentro de uma música que só o ar
da noite escuta, faz-se uma pausa
entre uma nota de pesar e um acorde
de esperança a nos acordar da luta
Assim nos cabe nessa hora feérica,
– em que nada termina nem começa –
entretecer a coroa de sonho e ciclos
que envolve nosso corpo rés à terra
Malgrado as feridas ferozmente
infligidas à finíssima pele da vida,
– crisálida envolvida em penumbra –
algum bálsamo reage em alquimia
A nos lembrar que, muito embora
escasso seja o quinhão da nobreza,
é preciso erguer a árvore da beleza
pr’um inocente animal se sombrear
E neste instante sem fim nem começo
subimos à meia-noite pelos ponteiros,
que marcam o encontro entre o agora,
o porvir e o rastro aceso da memória
Antônio Moura
Petrolina, 31/12/2025
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