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Fernando Fortes: Decadência e outros poemas

Retrato de Fernando Fortes

Decadência

As valsas são velhas rosas loucas de orvalho
girando no jardim do orgulho
as pétalas vertiginosas
que sangram pelas caudas dos vestidos
em hemorragias de rendas
Saudosas da cadência dos veludos
em demências deliciosas

As valsas são vaias do vento
na saída da tempestade

Lá fora bailam crianças
no corrimão das varandas
as tranças das samambaias

Quase dormindo

À noite, na cama,
quase dormindo,
repenso um verso mal escrito
que deixei no rascunho.
Tenho medo de dormir e esquecer
a emenda;
tenho preguiça de sair da cama e emendar,
vou e volto na imaginação.
Melhor o sono que o soneto.

Harmonia

Os milagres se cumprem
no rito diário
das coisas

Cheias de alegria
as almas se dispõem
ao amor
secretamente gratas
de terem o que amar

Ver-O-Poema
Foto do autor

Carlos Fernando Fortes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de maio de 1936. Poeta, escritor e psicanalista, colaborou ativamente no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil. Venceu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia, com o livro “Canto Pluro” (1968), além do Prêmio Literário Nacional Pen Clube do Brasil de 2013, com a publicação de De olho na morte e antes (2012). Fernando Fortes faleceu no Rio de Janeiro, no dia 6 de outubro de 2016.

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