Decadência
As valsas são velhas rosas loucas de orvalho
girando no jardim do orgulho
as pétalas vertiginosas
que sangram pelas caudas dos vestidos
em hemorragias de rendas
Saudosas da cadência dos veludos
em demências deliciosas
As valsas são vaias do vento
na saída da tempestade
Lá fora bailam crianças
no corrimão das varandas
as tranças das samambaias
girando no jardim do orgulho
as pétalas vertiginosas
que sangram pelas caudas dos vestidos
em hemorragias de rendas
Saudosas da cadência dos veludos
em demências deliciosas
As valsas são vaias do vento
na saída da tempestade
Lá fora bailam crianças
no corrimão das varandas
as tranças das samambaias
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Quase dormindo
À noite, na cama,
quase dormindo,
repenso um verso mal escrito
que deixei no rascunho.
Tenho medo de dormir e esquecer
a emenda;
tenho preguiça de sair da cama e emendar,
vou e volto na imaginação.
Melhor o sono que o soneto.
quase dormindo,
repenso um verso mal escrito
que deixei no rascunho.
Tenho medo de dormir e esquecer
a emenda;
tenho preguiça de sair da cama e emendar,
vou e volto na imaginação.
Melhor o sono que o soneto.
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Harmonia
Os milagres se cumprem
no rito diário
das coisas
Cheias de alegria
as almas se dispõem
ao amor
secretamente gratas
de terem o que amar
no rito diário
das coisas
Cheias de alegria
as almas se dispõem
ao amor
secretamente gratas
de terem o que amar
Ver-O-Poema
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- Madame Jeanne | Edyr Augusto Proença
- Fernando Fortes: Decadência e outros poemas
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