às vezes eu bebo tequila com gasolina
cravo 3 ou 4 ampolas no borogodó das tripas
e deslizo suave na nave
às vezes eu canto baladas azedas
no karaokê dos demônios desafinados
e danço com minhas pernas de hachi
na lâmina de uma katana
às vezes eu grito palavrões cabeludos
dentro do oco da minha caverna
o som sujo reverbera nas pedras
e retorna num eco seco e desaforado
: teu cu teu cu teu cu
às vezes eu choro 27 lágrimas no escuro
pálpebras no breu
eu e eu
a sombra da segunda-feira
e minha coleção de pequenas erosões
às vezes eu sangro poemas no subterrâno dos partisans
Vichy anoitecerá em chamas
a palavra será meu coquetel molotov
e os fascistas não passarão
às vezes eu bebo
às vezes eu canto e danço
às vezes eu grito
às vezes eu choro
às vezes eu sangro
eu só não
rezo

Poemaço!
Grande Vlado!