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posts em: Clarice Lispector

Começou a ficar escuro e ela teve medo. Esperou um momento em que ninguém passava para dizer com toda a força: “Você não voltará.”
Flores envenenadas na jarra. Roxas, azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas.
Eu fico latindo para Clarice e ela – que entende o significado de meus latidos – escreve o que eu lhe conto.
Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.