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posts em: poesia portuguesa

Sou aquela menina da segunda carteira na primeira fila da escola, a que tem uma trança castanha e usa uns óculos grandes que na verdade me ajudam a ver melhor as coisas pequenas. Como as letras.
Os homens gritam – são as bruxas As mulheres pensam: – são os anjos As crianças dizem: – são as fadas
Escalar-te lábio a lábio, percorrer-te: eis a cintura o lume breve entre as nádegas e o ventre, o peito, o dorso descer aos flancos, enterrar
Não toques nos objetos imediatos. A harmonia queima. Por mais leve que seja um bule ou uma chávena, são loucos todos os objetos.
Era de noite quando eu bati à tua porta e na escuridão da tua casa tu vieste abrir e não me conheceste.
Para atravessar contigo o deserto do mundo Para enfrentarmos juntos o terror da morte Para ver a verdade para perder o medo
Deus é a nossa mulher-a-dias que nos dá prendas que deitamos fora como a vida