
A FLOR DA CARNE, Ibis Libris, 2026, da excelente jornalista e escritora CECILIA COSTA JUNQUEIRA
CECILIA COSTA JUNQUEIRA nasceu no Rio de Janeiro, RJ. Formou-se em Letras, na UFRJ. Foi editora do “Prosa & Verso” de O Globo e da Revista do Livro da FBN. “As viagens imaginárias de Machado de Assis” é o título da dissertação de seu mestrado em Letras (UFRJ). Doutora em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia, com tese sobre o Conde da Barca (HCTE-UFRJ), publicada em 2023.
Sobre A FLOR DA CARNE, a poeta e ficcionista CARMEN MORENO escreveu:
“A flor da carne, incursão da escritora e prestigiada jornalista, Cecilia Costa Junqueira, pelo universo da poesia, carrega a ousadia e a fluência que caracterizam a personalidade da autora, tornando a obra uma instigante conversa íntima – em versos. Há uma espécie de suavidade vulcânica nos poemas, essencialmente eróticos, mas despojados dos pudores impostos às mulheres, incluindo as poetas, pela cultura patriarcal… (…) É o corpo que conduz o lirismo, do início ao fim do livro, despertando-nos curiosidade e empatia, ao desvelarmos os “enredos” que a poeta denuncia e/ou inventa. Mesmo diante de um livro supostamente memorialista, nunca saberemos localizar a fronteira entre realidade e delírio, graças ao Eu poético (…) Sexo, morte, tempo, amor de mãe, amor de filha… Amor! A flor de Cecilia está impregnada na carne de uma mulher emocionada, corporal e vibrante”.
Já o poeta, tradutor e jornalista TANUSSI CARDOSO afirma no prefácio:
“Aqui, nada é ornamento ou artifício. É matéria. É músculo da linguagem. Aqui, o desejo ganha textura e respiração; o físico se torna metáfora; a experiência, um jardim onde o tempo e a lembrança se entrelaçam. A “flor” descrita é entrega e fronteira, fragilidade e fúria, brilho que se colhe com as mãos trêmulas. Em A flor da carne, a autora expõe, corajosamente, sobre o florescer do sexo, unindo o carnal e a delicadeza, retratando a força e a misteriosa magia de sua natureza. Um chamamento para as mulheres de todas as idades. Uma poesia libertária, de política do direito ao gozo. E ao orgasmo. (…) É a mulher que fala, é o feminino que exulta em humanidades e sensualidade. Cecilia Costa Junqueira, em A flor da carne, é a certeza de uma revolução a seguir seu rumo; e que continuará, através de seus versos.”
Deixo com vocês um pouco da corajosa beleza de A FLOR DA CARNE, Ibis Libris, 2026, de CECILIA COSTA JUNQUEIRA.
Enlaça-me e eu o enlaço
Em sonhos, só em sonhos.
A madrugada se estende
Na triste solidão infinita.
Que tal dar-me a dádiva
De uma corporificação?
Com leveza, aproximar-se,
Abrir suas asas de pássaro?
Por seu bico abandonaria
O livro em cima da cama.
Não vou perdoar nunca
Teres ido embora assim
Antes do teu aniversário
Só se voltares da tumba
Com uma braçada de flores
Gotas de prata, rosas carmim.
O sorriso esfíngico no rosto
Para matar meu desgosto
Com as palavras nunca ditas
Além, muito além da poesia.
Às vezes, fico assim
Toda arrepiada com
A vida como se a vida
Fosse música, tocada
Por sensíveis artistas
Os poros se abrem
Não são anjos, são
Seres humanos que
Ao dedilhar cordas,
Teclas, têm orgasmos.
Às vezes, fico assim
À flor da pele, a flor
Da carne, rosa exposta
Tatuada em minha nuca.
A beleza já me excitou
No passado. Um corpo
Ou um rosto bonito me
Tiravam do sério. Perdia
A cabeça, fazia loucuras.
Hoje, mais velha, o que
Me excita é um bom verso
Ou pensamento instigante.
A ternura alimentada pela
Troca de mentes livres.
Esses são alguns poemas de lirismo erótico do livro indicado pela Sextas Poéticas: A FLOR DA CARNE, Ibis Libris, 2026, de CECILIA COSTA JUNQUEIRA.

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