“Sigo o ritmo do acaso e a luz da minha própria verdade.”
(Jack Kerouac)
Eu queria subtrair do alto
um musgo à deriva,
uma hóstia apátrida,
sem origem,
sem estação,
sem lugar
a
que
pertencessem.
Guardá-los entre a seda
e as asas da carne,
como quem oculta
sementes descomunais
antes que as víboras
lhes
descobrissem
as
faces.
Nas horas ardorosas
em que a perenidade
me abandonava,
eu sondava
as
seivas purulentas
com
os
olhos densos,
ainda
libidinosos.
Fendas de claridade
rasgavam o cremoso torpor
do crepúsculo,
e cada
uma
parecia inaugurar
uma
origem.
Eu queria nascer
como fênix
depois
da
primavera,
antes
do inverno hiante,
em um ermo
impossível
que o tempo
não
soubesse
traduzir.
Seria a quinta estação:
um sol líquido
derramado
sobre o betume,
um verão insólito
crescendo
como angústia
carcomida
em
meio
à
tempestade.
E eu,
cisco lacunar,
sem rumo,
descalço pelo traseiro
do tempo,
seria finalmente
aquilo
que ainda
não
sabia
não
ser.
Benny Franklin
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