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literatura

poesia

Nós somos os homens ocos Os homens empalhados Uns nos outros amparados O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Se eu fosse alguma coisa não alguém diria aos filhos de Édouard providenciem e se eles não providenciassem eu iria para a floresta dos reis magos sem galochas e sem ceroulas como um eremita
sigo por onde caminho não há ouço pássaros onde pássaros não há atravesso épocas leio vidas no mormaço do olhar
Arrefeceu-se a palavra – A obrigação era calar Para jamais muito irritar O macho, dono da lavra.
Perdi colegas, namoradas, cães. Perdi árvores, pássaros, perdi um rio e eu mesmo nele me banhando. Isto o que ganhei: essas perdas. Isto o que ficou: esse tesouro de ausências.
As valsas são velhas rosas loucas de orvalho girando no jardim do orgulho as pétalas vertiginosas
Confissão – esperando pela morte como um gato que vai pular na cama sinto muita pena de minha mulher
lá fora homens recolhem ferramentas enquanto penso na poesia da vida lá fora homens embarcam em ônibus lotados desce a noite fecho a cortina.
Disparo ao fundo desse alvo escuro Chispas de tédio e solidão. Disparo. E a noite, desbotando-se nos astros, Zomba do meu notável despreparo.
Já não sou mais eu Estou enfeitiçada, e agora o que fazer?
Em ti choramos os outros mortos todos Os que foram fuzilados em vigílias sem data Os que se perdem sem nome na sombra das cadeias Tão ignorados que nem sequer podemos Perguntar por eles imaginar seu rosto

prosa

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A poesia não precisa de efeitos especiais. Ela transforma o cotidiano em encantamento com o que tem de mais sofisticado, a simplicidade: Uma folha caída, um copo de água, o silêncio entre duas batidas do coração.
Sem personalismo, Marina encarna o que nos resta de mobilização holística, acima dos sectarismos. Gaia só une! A nós, homens partidos num chão dilacerado.
Descia a rua de pedras, Saturnino conduzindo um rebanho de cabras, na direção do rio.
Em “Ter ou não ter”, Luís Fernando Verissimo transforma o tempo em ironia: a vida é a travessia entre ainda não ter idade e não ter mais idade.
“Volta aos teus verdadeiros sentidos. Chama o teu verdadeiro ser. Desperta de teus sonhos, que eram apenas sonhos que te perturbavam. Vê doravante as coisas com os olhos bem abertos e atenta para o que descobrem teus novos olhos.”
Madrugadinha, lendo Lua do dia do Ricardo Fernandes, um piado incessante começou do lado de fora.
Não pode acenar da janela com seu jeito simples quando vou para a escola. Já não pode fazer aquele arroz com lentilha que eu demorei tanto a descobrir o quanto gostava
Estou com a impressão de que ando me imitando um pouco. O pior plágio é o que se faz de si mesmo.
Desde que o homem existiu no mundo, portanto, nesse planeta Terra a educação também tomou o lugar num contexto familiar onde os parentes transmitem as regras de boa convivência socialmente aceitáveis
O primeiro-ministro alemão festejou dar o fora de Belém, embora tenha passado poucos dias aqui. No entanto, o verão alemão mata e o daqui, não.

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